segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Asleep

Eu deito olhando pros céus e só quero dormir eternamente. Quero voltar a sonhar com as águas me afogando, as ondas me cobrindo a visão e apertando meu nariz, entrando pela traqueia e expulsando o ar dos meus pulmões.
Eu quero a ilusão de morrer pra sempre porque a realidade não me atende e na realidade eu ainda estou irremediavelmente vivo.
Eu olho pros céus. É pecado eu querer estar no escuro? Pedir pras estrelas me levarem? Questionar Deus a respeito da necessidade da minha existência?
Eu só quero apagar a luz e fingir que não estou aqui. Que fui embora pra nunca mais. Que já chega, não fiz as malas, só cerrei as pálpebras e matei a dor do abismo que cabe no peito. Um nada. Um grande nada. É o que eu era e o que sou e o que vou ser depois daqui, esgotada a piedade que eu sou indigno de ter. É a sentença. 
Adeus, eu vou subir nos cavalos eternos.