Como você está depois de todo esse tempo? Hoje passei por aí. Pensei em descer do ônibus e te ver, dizer oi e jogar conversa fora, um café ou dois e talvez ver algo na tv com você. Melhor não, eu pensei. Talvez você não estivesse em casa, ou talvez estivesse dormindo. Quem sabe se não ia se recusar a me receber. Eu jamais saberia.
Eu pensei em todas as considerações que fizemos. Em todas as coisas que já conversamos. Hoje, quando me sentei pra almoçar e vi teu lugar vazio à minha frente. Eu não sei se vou, algum dia, conseguir me acostumar com a tua ausência ali, materializada. Voltei à estaca zero.
Não, eu não quero acreditar que você vai embora.
Quando nos veremos de novo? Parecem mil anos desde a última vez. Mil anos que eu carrego esse peso nos ombros. Essa saudade do futuro que não chegou.
Me diz a que horas nós voltaremos a nós. Eu quero apagar a luz e só abrir a janela na hora real, e viver das memórias da ponta dos teus dedos até lá.
Acho que já estou no limite do abismo.
Não demora a ligar de novo. Eu vou acordar com a frequência da tua voz.