sábado, 28 de outubro de 2017

Pausa

Esse é o meu pedido de desculpas por escrito. Um dos tantos que eu já te fiz. Um que consiga te dizer tudo que eu disse e deixei de dizer pra você.
Um pedido de desculpas que eu queria que eximisse e anulasse meu diploma de filho da puta, esse título tão miserável que eu passei a carregar comigo a partir do momento fatal em que comecei a desperdiçar você. 
Sim, eu vim aqui repetir tudo o que você já ouviu. Essa é uma culpa que eu vou levar comigo até o último segundo de expiração que a minha existência conter. Não, não é por orgulho nem puro remorso. Todo sentimento mesquinho do mundo não contém o arrependimento de cada uma dessas letras, nem a dor que cada lágrima tua descarregou no meu peito.
Eu nos desperdicei. Não soube te cuidar. E isso, meu amor, é uma culpa toda minha. 
Malditos sejam os poetas que me fazem acreditar na remissão se ela não vier de ti. Eu não tenho esse direito de não te deixar escorregar por entre os dedos. 
E, não, eu não quero te ver partir. Eu sei que eu me isolei de nós dois, mas nessa hora morta eu vejo o pedaço rasgado do nosso laço, de quando eu me fiz ausência, e o sangue escorre de ambos os lados.
Eu não posso mais te pedir por inteiro e te devolver meus pedaços.
Desculpa. Tira a culpa. Tira o peso. Tu sabes das minhas faltas. Culpado. Te peço que me liberte delas.
Chegará o dia, meu sol e estrelas, em que, depois dessa madrugada, nós não seremos poente. Lá não haverá choro e ranger de dentes, só a nossa espera tendo ocaso e o teu perdão me sorrindo.
Ali, sem reservas e sem armaduras, transbordando, nós seremos um só.

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