Apague a luz, querido, eu vou te buscar na esquina.
Não, eu ainda estou em pedaços, por isso deixe-me ser inteiro dentro de você desta vez.
Tranque a porta e a boca e ninguém poderá nos ouvir ainda que colem seus malditos ouvidos esticados à porta.
Assim prefiro, caro amigo, que eu derrame em você minhas lágrimas, a despeito de tantos colos alheios que a mim se oferecem voluptuosamente em sua virtual e escrupulosa anonimidade. Estes são apenas colos, és parte dos laços que a vida me amarrou.
Ah, vil e doce concupiscência que nos arrasta pra dentro dos meus aposentos e da minha nua alma vazia daquele corpo outro que ainda tanto me preenche de saudade. Irmão amado, deixa sempre que teu não-sangue permaneça nessa nossa lasciva e ambígua fraternidade, enquanto meus antigos pecados marcam-te por dentro e te afogam na petite mort.
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