O castigo do sol incidia sobre minha cabeça. Ironia, o dia não podia transcorrer mais cinza, resquício de combustão completa.
Não, meus amigos, aquele não foi o fim dele. Estado de latência apenas passageiro, letargia que não se preocupou em resguardar a lentidão do processo: olhos escancarados de súbito para a mais aterradora visão. Impacto inenarrável, inutilmente tentado ser arranhado no papel − fixado na retina.
As cortinas se abrem, as luzes acendem, todos se levantam em silêncio, sem aplausos ou vaias. Resta apenas o vazio, além daquele espectador imóvel e as vozes que saem do fosso, molestando a tormenta do consciente à deriva.
Um naufrágio pairando e a tragédia de Wagner pronta a ser parafraseada.
Falta-lhe ainda o golpe de misericórdia, pra que essa exatidão disforme se desfaça em partículas. Ela se nega a dar. Ela se nega a não dar. Prefere continuar alheia ao fluxo indelével de aparente felicidade que o comprime no nada dessa sala, sufocando seu lamento ensurdecedor. Não, ela está aqui, na minha frente. O invólucro há de ser mantido até que ela intempestiva venha quebrar a umbra. Eis minha vã esperança ante a certeza da morte exorbitante.
Nenhum comentário:
Postar um comentário