segunda-feira, 28 de abril de 2014

The end

Fim.
Assim começa a história.
Com o fim da minha sanidade. Com o fim de todas as perspectivas ilusoriamente criadas. 
É o fim dos esforços por uma causa há muito perdida. Fim da batalha travada dentro de mim mesmo e contra as pressões externas. De vez, o muro desaba.
É o fim das atitudes desesperadas e inconsequentes. É o fim das mechas de cabelo amontoadas no chão. É o fim dos comas alcoólicos e dos remédios em demasia. É o fim das marcas e do desenho da lua, cravado no pulso e nos olhos ansiosos de rever aquela luminosidade refletida.
É o fim da prosa  e da poesia. Fim da história de terror e do conto de fadas. Escrita morta.
Adeus imposto, sem deliberação, consentimento ou qualquer eufemismo. Ruptura imputada impiedosamente.
Escolheu desprender-se e fazer de mim e de nosso conto fantasma renegado ao canto escuro do passado. Subentendido.
Sou peça ainda viva e pulsante da velha coleção dos sonhos queimados, emoldurada no ouro, enfileirada na prateleira de baixo da estante.


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